Existem evidências científicas que problemas de saúde do adulto podem ser desencadeados já na alimentação infantil. A nutrição na infância tem sido estudada há muitas décadas no sentido de garantir um crescimento saudável, livre de doenças. Assim já sabemos há muito tempo que o leite materno deve ser o alimento único nos primeiros seis meses de vida, garantindo um crescimento ideal, redução de infecções e alergias, garantindo nos primeiros meses uma vida saudável. Para a Dra Michelle Rasmussem, especialista em Atendimento Nutrcional, com atuação nos Hospital das Clínicas e na Cligam, os cuidados com a alimentação infantil, são muito importantes desde o início e qualquer erro ou exagero nesta fase pode trazer conseqüências para a vida adulta. “Sabemos que o leite materno é um alimento completo, com todos os nutrientes necessários e equilibrados para a criança, e a partir do momento que são introduzidos novos alimentos, uma das orientações é para usar o mínimo de temperos, principalmente o sal, para que a criança possa sentir o verdadeiro sabor do alimento, assim como o uso dos alimentos industrializados que são ricos em sódio. A refeição deve ser preparada com temperos naturais e de forma suave, justamente para não mascarar o sabor do alimento”, diz a nutricionista. Risco de hipertensão no primeiro ano - Na última década, os pesquisadores passaram a se preocupar não só com o crescimento saudável, mas quanto desta alimentação poderá promover uma vida saudável na maturidade. Eles verificaram que a fase da vida em que o sal tem a maior correlação com o desenvolvimento de Hipertensão Arterial é no primeiro ano. Em nenhuma outra fase da vida o sal pode ser tão relacionado com esta patologia do adulto quanto no primeiro ano. O sal é oferecido na introdução de sólidos, onde a criança ainda não desenvolveu este paladar, mas os adultos provam os alimentos e colocam sal baseados em seu próprio paladar. O leite de vaca tem altas concentrações de sódio, assim como de proteína, que por sua vez tem sido associado à síndrome metabólica e obesidade na vida adulta. Estudos constataram que excesso de proteína e ganho de peso muito rápido, especialmente em prematuros e recém nascidos de muito baixo peso, promove distúrbios metabólicos, alterações gênicas (isto se chama epigenética), favorecendo o desenvolvimento desta grave patologia na vida adulta. A obesidade é o mal do século, acometendo uma população cada vez maior em todo o mundo, e isto pode ter seu início na alimentação do primeiro ano de vida. Assim, cuidar da alimentação de nossos bebês é da maior importância, evitando excessos e ganho de peso além das curvas do crescimento normal. |